Ana Drago

30.6.05

apresentou hoje um projecto de lei contra a palavra «afrodisíaco», argumentando que esta confirma a ideia feita de que os pretos têm a pila maior de que os brancos.

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Valia a pena inventar

Écran de computador que bronzeie o utilizador.

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Verão Azul

28.6.05

A diferença é que eu, na altura, deveria ter a idade e o diâmetro do Piranha, logo era mais novo que a Béa. Um amigo meu contou-me que o Chanquete, que era um ídolo infantil, viva muito ao pé dele em Madrid e que um dia foi ter com ele, gritando, como na série, «chanquete, ei chanquete» e que o homem, que morreu para aí há dois anos, o tratou mal, coño e tal, e que ainda, aos trinta, não se tinha refeito. Seria por isso que se estava a doutorar. Outro sonho desfeito. Voltando à Béa. Há um famoso episódio em que lhe aparece o período pela primeira vez e ela fica muito quieta, parada, na praia. Os outros não percebiam, e eu não percebia puto sentado em frente à televisão, porque é que ela não queria brincar mais com os meninos. Havia uma diferença qualquer nela, uma coisa meio insondável. Até que alguém diz, na série: «é que ela agora é uma mulher». Então era isso: ela agora era uma mulher. Ela não queria ser mulher, e eu não sabia o que isso queria dizer, mas tinha que ver com não querer mais brincar na praia com os outros meninos. É claro que a Béa, para mim, nunca poderia envelhecer, nem ficar gorda, sequer quase respirar para não fazer rugas. E se calhar isto é tudo uma conversa fiada de nerds e geeks que, na altura, tinham todos a idade e o diâmetro do Piranha.
(de uma troca de e-mails)

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A propósito


Did you understand the music Yoko
Or was it all in vain?

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Opções inadiáveis

O Papa e o PS puseram o Barnabé em fanicos.

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Post à Filipe Nunes

27.6.05

Afinal, Pavese tinha razão.

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Kissing Things

23.6.05

It was a shallow ocean It was a very low sky They're not too wide to get around Given the old school try And you must have had Nothing better to do I've been kissing my cigarette wishing it was you True, you gave me the moon And the silver stars They float outside the window Of this tedious bar But just like their masters They just drift in the blue I've been kissing the bottle wishing it was you So Gibraltar has tumbled The world came to an end And the joke was on me,You're not even my friend But with all my new lovers And there've been twenty-two I've been kissing the mirror wishing it was you.

[The 6ths, «Kissing Things», Hyacinths and Thistles, 2000]

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Achado na tradução

Tenra é a noite.

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Conto de Verão

Ela não é suficientemente gira para ser tão inteligente, pensou ele.

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Terapia

22.6.05

Eles tinham uma relação gramatical. Em caso de dúvida, consultavam o prontuário ortográfico.

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Lost in Translation (revisited)

Se tudo inexoravelmente acaba, então isto pode não acabar a qualquer momento.

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Tiago Monteiro

ficou em antepenúltimo.

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My treat

20.6.05

Francisco,
Está demasiado calor para alinhar três substantivos ao mesmo tempo na cabeça, quanto mais «manuel», «maria» e «carrilho». Concordo contigo, plenamente, sobre as «missões civilizadoras»; este pensamento simples deixou-me exausto. Façamos, civilizadamente, a única coisa que a canícula deixa à decência: eram dois Bombay's tónicos, por favor.
um abraço.

posted by rui at 20.6.05

Radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista

17.6.05

Ela é divinal. O isso já se saber não prejudica em nada (é como com Deus). O filme é uma merda.

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Reviver o passado na Brandoa

Durante anos, nas Portas de Benfica, na entrada para a Brandoa, esteve pendurada uma faixa que tinha escrito em letras garrafais: «AMADORA ZONA LIVRE DE ARMAS NUCLEARES». Esta deliciosa e perturbante faixa foi a razão pela qual sempre votei no PC para a Junta de Freguesia nas Autárquicas e nunca votei PC para as Legislativas.

posted by rui at 17.6.05

Pois sobras, pá.

Francisco,
O que faz falta em Viseu é haver mais malta como tu, mas lá, em Viseu. Não têm que ser de esquerda, basta serem como tu, mas têm é que estar lá.
Um abraço saudável e fraterno.

posted by rui at 17.6.05

Dois Rios

16.6.05

O corpo dividido em duas partes
fechadas
à chave uma na outra, avanço
num duplo coração como se fosse
ao mesmo tempo num só barco por dois rios.

[Luis Miguel Nava, «Dois Rios» de O Céu sob as Entranhas, in Poesia Completa 1979-1994, Lisboa, 2002, p. 192]

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Sobra «Viseu»

Salazar nasceu em Santa Comba Dão, distrito de Viseu. De criatura a criador, Salazar produz Viseu. Viseu produz Luís Miguel Nava. Luís Miguel Nava foge de Viseu e vai ao encontro de Eugénio de Andrade, seu mestre. Eugénio de Andrade está morto. Luís Miguel Nava está morto. Salazar está morto. Estão todos mortos. Sobra «Viseu». Por mera coincidência, Viseu foi notícia, ultimamente, pelos ataques homofóbicos.

posted by rui at 16.6.05

Olhe que não, Jorge Leitão Ramos

«Morbidez? Sensacionalismo? Não. E explico: a ficção, para ser purificadora, precisa de ser atroz. O personagem é vil, para que não o sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de cada um de nós. [...] Para salvar a plateia, é preciso encher o palco de assassínios, de adúlteros, de insanos e, em suma, de uma rajada de monstros. São os nossos monstros, dos quais eventualmente nos libertamos, para depois recriá-los.» (Nelson Rodrigues, 1957).

posted by rui at 16.6.05

É irónico

15.6.05

Álvaro Cunhal ter morrido quando Jerónimo de Sousa estava de visita à China. Duplamente irónico: à China; a esta China.

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O santo

14.6.05

O que impressionava vivamente em Cunhal era a brutalidade decorrente de uma fidelidade sem falhas a um ideal impoluto. Uma vez, na famosa entrevista, Carlos Cruz perguntou-lhe o que faria se tivesse um amigo homossexual; Cunhal respondeu, gélido: «deixava de ser meu amigo». Ele era como um santo. Ora, os santos, a mim, assustam-me, por pouco humanos.

posted by rui at 14.6.05

Be prepared, always be prepared

Álvaro Cunhal tinha o ar de quem, dento da malinha, trazia sempre um rolo de papel higiénico. A qualquer momento poderia ter que passar à clandestinidade e, nessa eventualidade, nunca o apanhariam desprevenido.

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Prontuário ortográfico da vida política portuguesa

Ontem, num documentário, vi que Ramalho Eanes parece uma alínea, parece o ponto 3.7 da alínea 6.

posted by rui at 14.6.05

Osbcenidade

Obscenidade é não recear morrer tendo vestidas cuecas sujas. Não por ser errado, ou imoral, mas pela ausência íntima de pudor. A obscenidade desfeia, deprime e embaraça. O obsceno é um ensimesmado; a obscenidade dispensa os outros.

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The Big Chill

13.6.05

Um comentário sobre Álvaro Cunhal? Não vejo por que razão. Afinal, trata-se de um dead subject.

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Freud explica

10.6.05

José António é filho de António José. A mãe de José António chama-se Maria Isabel. José António, filho de António José e Maria Isabel, é casado com Isabel Maria.
(fonte: entrevista de José António Saraiva à «Única», 10-6-2005)

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A dúvida

«Portanto as mulheres para mim sempre foram um enigma. Para mim e para os Saraivas em geral».
(fonte: entrevista de José António Saraiva à «Única», 10-6-2005)

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Still a commie alfter all these years

«[o PS] sociologicamente tem essa base, que é a pequena burguesia, medíocre nos seus objectivos, sem grandeza [...]»
(fonte: entrevista de José António Saraiva à «Única», 10-6-2005)

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The show-off must go on

«...Se alguma vez ganhar o Nobel da Literatura...
Tem um lado humorístico desconhecido das pessoas. Quando fala em receber um prémio Nobel está a fazer humor.
Não! Todas as pessoas que escrevem têm de ter a ambição de chegar ao topo.»
(fonte: entrevista de José António Saraiva à «Única», 10-6-2005).

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The show-off

«Sou uma pessoa reservada, austera, um bocadinho ascética, não gosto muito de me exibir.»
(fonte: entrevista de José António Saraiva à «Única», 10-6-2005)

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A ponte é uma passagem

9.6.05

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Max Weber

estava errado. O viço varia na razão inversa do calor que faz. No tempo dele, isso queria dizer que variava na razão directa da latitude. Hoje em dia, felizmente, não.

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Tratado conjugal

8.6.05

Ergo o meu copo para brindar aos noivos neste dia em que pela primeira, e última, vez disseram os dois «sim» ao mesmo tempo e à mesma pergunta.
Disse o pai da noiva.

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Boaventura Sousa Santos

7.6.05

O que verdadeiramente diferencia o centro da semi-periferia é esta última ter «ar forçado» em vez de «ar condicionado».

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Immanuel Wallerstein

O que verdadeiramente diferencia o centro da periferia é o ar condicionado.

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Calor

Está demasiado calor para estar este calor todo.

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Estádio flat

6.6.05

O adepto eufórico ia levantar-se para fazer a onda, mas parou. Lembrou-se que o pequeno Martunis estava na bancada.

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Os benefícios de ler A. J. P. Taylor

O chefe do Estado-Maior francês no início da Primeira Guerra Mundial chamava-se Joffre. Joffre, um dos irmãos de Nelson Rodrigues, nasceu em 1915.

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O óbice do défice

Meu caro Ivan, é claro que o perigo iminente da obsessão do défice é cair no discurso da tanga.

posted by rui at 6.6.05

Whitewashing

2.6.05

Nos últimos tempos, a actividade de lavagem de dinheiro tem-me rendido avultadas maquias. Com efeito, tenho encontrado, após cada lavagem de roupa, cinco, dez cêntimos, uma vez dois euros inteiros, na cuba da máquina. É assim que tenho aplicado, com plácida ironia, a minha cuba ao branqueamento de capitais.

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As pessoas normais não têm nada de especial

No outro dia soube que nos Estados Unidos querem acabar nas escolas com determinados jogos como a «apanhada», o «mata» e outros que consideram instiladores de insegurança, sentimentos de rejeição, e por aí fora. Em seu lugar, um novo jogo, chamado «circle of friends», no qual cada criança fala dos seus sentimentos em relação aos outros. Ora esta ideia disparata tem por base um erro. Não é verdade que os miúdos que na escola foram gozados por serem caixa-de-óculos, terem os pés-chatos e usarem botas ortopédicas venham a revelar-se adultos disfuncionais. Pelo contrário, como o mundo dos blogues mostra à saciedade. Não haveria «Lord Anthony» dos Belle & Sebastian, nem «Flight Attendant», do Josh Rouse, ai não havia não senhor. Será que se Hitler se tivesse sentado no chão do recreio no seu torrão áustrio e dito ao menino polaco judeu à sua frente que o ia invadir se ele não lhe desse já todos os guelas, Antony teria escrito «Hitler in my heart», ou os Everything but the Girl «Little Hitler»? Não me parece. Nada mais formador do carácter do que a rejeição, a insegurança e a fealdade em doses liceais. Veja-se o meu caso. Para além de ter dioptrias, na colónia de férias da TAP havia um menino que me obrigava a ladrar. E eu sou um tipo normal, quer dizer, eu estou de bem com a vida, ai que bem que eu estou. Agora o não sei quantos, não. Esse gajo cobrava bilhetes para os meninos da praceta irem espreitar por debaixo das saias da avó que no Verão andava mais à fresca e onde é que ele anda agora? Um pobre diabo, é assistente e, como se isso não bastasse, está a doutorar-se.

posted by rui at 2.6.05